terça-feira, 15 de novembro de 2016
Desejo de morrer
Morro de desejo,
e não raro cortejo,
aquilo que faz a todos correr,
porém pra mim é um prazer.
Pensar. Planejar.
A forma como vou morrer.
Assusta, é mórbido,
soturno, sombrio e sórdido,
finge-se que não se importa,
porém quando ela bate a porta,
passamos a questionar,
sobre o que deixamos de falar,
de fazer, de sentir,
como poderíamos agir
enfim, perdemos o chão,
chegamos perto de nossa essência,
diante da iminência,
de habitarmos um caixão.
Luto contra o luto
As vestes negras
envoltas em meu coração,
teimam em não
me deixar na mão.
Eu agradeço
a atenciosidade,
mas disso eu não
preciso, de verdade.
A dor é dura,
porém pura,
tão sincera
que dilacera,
tem que ser sentida,
vívida orgânica, e vivida
deixa ela explodir,
expandir, contrair.
Sabido, é certo o sofrer
mas pra sempre não há de ser.
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
Estrada pra lugar nenhum
Contemplando, segue-se a vida
bem ou mal sendo vivida
sempre a sombra e a esperar
algo que não chegará.
Pois o que dizemos querer,
no fundo imploramos
para não acontecer,
e em devaneios sem fim,
contraditóriamente pensamos:
Ah! se fosse assim.
e nessa indecisão
sempre a preferir
o meio do caminho
a mediocridade cresce,
se estabelece,
e por ela, até criamos
um certo carinho.
Pois ao que parece
sentimos maior conforto,
em seguir vivendo
cada qual, como se morto.
Ceifeiros
No éter, venho a me encontrar,
sonhando, suspenso no ar
tudo está nítido, claro,
e parece fluir, um melhor raciocinar,
o pensamento me move
e o que antes me tocava
não mais me comove.
Tudo está perfeito
nunca me senti tão bem,
até mesmo a angina
que me detonava o peito
se desfez, junto com o meu leito.
Mamãe, Papai, quero agora ver vocês...
Mas o que está havendo?
Porque não estão me vendo!?
e é aí que percebo
que este mancebo
no plano físico,
não existe mais
e os ceifeiros
me transportam
pra mostrar onde
meu corpo jaz
com os dizeres na lápide:
Descanse em paz.
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